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quinta-feira, 8 de março de 2012

Los borrachos


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08/03/2012 às 00:00:00
Em plena Guerra das Malvinas, perguntaram ao escritor Jorge Luis Borges o que ele achava do conflito entre argentinos e ingleses. Com fina ironia, Borges propôs uma solução generosa: "Essa disputa precisa ser resolvida com diplomacia. Argentina e Inglaterra desistem da posse e entregam as ilhas para a Bolívia, que tanto precisa de um pedaço de mar".
O argentino Jorge Luis Borges era cego e por isso mesmo tinha visão melhor da escuridão na América Latina. Outro que tinha uma privilegiada visão do continente era o Barão do Rio Branco, que teria trocado o território do Estado do Acre, que pertenceu à Bolívia e ao Peru até 1913, por um cavalo. Ocupado por seringueiros no final do século 19, na verdade o Acre acabou sendo comprado pelo Brasil, em 1903, por dois milhões de libras esterlinas, pagos aos governos boliviano e peruano, além do pagamento de uma indenização de 110 mil libras esterlinas ao arrendatário da área, The Bolivian Syndicate.
 Segundo o presidente boliviano Evo Morales, cujo maior sonho é estatizar o fluido de isqueiro para acender o charuto de Fidel Castro, o negócio foi outro. Como a diplomacia boliviana aprendeu a se movimentar com o cavalo de Simon Bolívar, com certeza trata-se de um clamoroso erro histórico. Assim sendo, o Barão ofereceu um cavalo e entregou um burro.
 A versão de Morales de que o Acre teria sido trocado por um cavalo lembra outra história mal contada: em 1623, a Holanda teria comprado a Ilha de Manhattan dos índios moicanos pela bagatela de 24 dólares. Ou seja, calculando-se que naquela época um cavalo custava bem menos que um dólar, com 24 dólares se podia comprar a Bolívia com o Acre anexo. Não foi bem assim. Para proteger os colonos dos massacres, os moicanos não aceitavam moedas. Receberam em quinquilharias no valor de 60 guilders (moeda holandesa), que depois a lenda transformou em 24 dólares.
Na Guerra das Malvinas, o primeiro disparo foi dado por um general argentino borracho. O que prova que na história das desgraças na América Latina sempre tem um pinguço no meio. No Brasil o golpe de 64 começou depois de uma das bebedeiras de Jânio Quadros. Segundo garantem os melhores historiadores, José Manuel Pando Solares, que presidiu a Bolívia entre 1889 e 1904, vivia bêbado e, num daqueles porres, trocou o Acre por um cavalo de raça que levou para sua própria fazenda.
Relembrando Jorge Luis Borges, essa disputa pelas Ilhas Malvinas precisa ser resolvida com diplomacia: Argentina e Inglaterra desistem da posse, o Brasil devolve o cavalo à Bolívia e não se fala mais nisso.

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